Mesmo perto do fim do ciclo, console lançado em 2017 superou Xbox Series em um ano marcado por queda global no mercado de hardware
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O ano de 2025 trouxe um dado simbólico — e preocupante — para a Microsoft: o Xbox vendeu menos unidades do que o Nintendo Switch, console lançado em 2017 e que já conta, inclusive, com um sucessor no mercado. O desempenho inferior dos modelos Xbox Series S e Series X evidencia o momento delicado vivido pela marca no segmento tradicional de consoles.
A comparação chama atenção não apenas pela diferença geracional entre os aparelhos, mas também por reforçar a percepção de perda de relevância do Xbox frente aos principais concorrentes. Enquanto o Switch original segue mostrando fôlego mesmo no fim de seu ciclo, o console da Microsoft enfrenta dificuldades para manter ritmo no varejo.
Queda nas vendas reflete impacto financeiro
O desempenho abaixo do esperado também aparece nos números financeiros da empresa. No primeiro trimestre do ano fiscal de 2026, a divisão de games da Microsoft registrou queda de 2% na receita, enquanto as vendas de hardware do Xbox despencaram 29% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Embora a empresa não divulgue dados oficiais de vendas, estimativas do mercado apontam que os consoles da linha Xbox Series venderam cerca de 1,7 milhão de unidades em 2025, contra aproximadamente 3,4 milhões do Nintendo Switch no mesmo intervalo.
Mercado de consoles encolhe, mas Xbox sente mais
A retração não atingiu apenas a Microsoft. O mercado global de consoles atravessou um período difícil, com queda de 27% nos gastos com hardware em um dos meses mais importantes para o varejo. Ainda assim, o impacto sobre o Xbox foi consideravelmente maior.
Estimativas indicam que as vendas do console da Microsoft caíram cerca de 70% no período analisado. Para efeito de comparação, o PlayStation 5 teve recuo superior a 40%, enquanto as vendas combinadas do Switch e do Switch 2 registraram queda pouco acima de 10%.
Distância para concorrentes aumenta
O cenário ampliou a diferença entre o Xbox e seus rivais diretos. O Switch 2 ultrapassou a marca de 10 milhões de unidades vendidas poucos meses após o lançamento, enquanto o PS5 acumulou mais de 9 milhões de consoles vendidos apenas em 2025.
O Xbox, por outro lado, aparece distante da liderança e com uma participação cada vez menor no mercado de consoles, reforçando dúvidas sobre o futuro do hardware da marca.
Estratégia da Microsoft vira alvo de críticas
Os números reacenderam questionamentos sobre a estratégia da Microsoft no setor de games. Ex-executivos e analistas passaram a criticar publicamente a condução do Xbox, apontando falta de identidade clara, dificuldades em competir no hardware e decisões que teriam enfraquecido a força da marca ao longo dos anos.
Para parte do mercado, o problema não está apenas nas vendas, mas na ausência de um posicionamento sólido frente a Sony e Nintendo.
Xbox minimiza crise e aposta no ecossistema
A liderança do Xbox, no entanto, evita tratar o momento como uma crise. Phil Spencer, CEO da Microsoft Gaming, já declarou que a empresa não tem como objetivo liderar a corrida de vendas de consoles. A aposta está em expandir o acesso aos jogos, independentemente da plataforma.
Essa visão é compartilhada por Satya Nadella, CEO da Microsoft, que defende o Xbox como um ecossistema multiplataforma, presente em consoles, PCs, celulares e TVs conectadas.
Aposta em híbridos, streaming e novas parcerias
Na prática, essa mudança de foco já está em andamento. A Microsoft investe em dispositivos híbridos e parcerias com fabricantes, como os portáteis desenvolvidos em conjunto com a Asus, além de reforçar sua presença no streaming e no mobile.
Ao mesmo tempo, novos concorrentes surgem nesse espaço. O anúncio de um novo Steam Machine, da Valve, reacendeu o interesse por sistemas híbridos entre PC e console, dialogando diretamente com o caminho que a Microsoft sinaliza seguir.
Game Pass sustenta a divisão de games
O principal pilar do Xbox hoje é o Game Pass. O serviço de assinatura já soma 34 milhões de usuários e se tornou uma das maiores fontes de receita da divisão. O Xbox Cloud Gaming também segue em expansão, com crescimento nas horas jogadas via streaming e avanço em mercados emergentes.
Ainda assim, especialistas alertam que o alto custo de infraestrutura limita a rentabilidade do cloud gaming no curto prazo.
Fim das exclusividades e reestruturação interna
Outro movimento que marca essa nova fase é o abandono gradual das exclusividades. Jogos antes associados exclusivamente ao Xbox passaram a chegar a plataformas concorrentes, reduzindo o apelo do console como hardware indispensável.
Essa reestruturação estratégica veio acompanhada de demissões, fechamento de estúdios e cancelamento de projetos, em meio a metas de rentabilidade mais rígidas. O resultado é um Xbox cada vez mais distante do modelo tradicional de console — e cada vez mais próximo de um serviço global de games.
Fonte: Geekin 360°