PETA gera revolta ao usar personagem de Umamusume em campanha contra corridas de cavalos

Escrito em 28/12/2025
Gustavo Ferreira - Geek in 360°

Uso de imagem não oficial de Silence Suzuka com teor violento provoca reação da comunidade e levanta debate sobre direitos autorais

 



Fotos: Divulgação

 


A organização sem fins lucrativos PETA voltou a se envolver em controvérsia ao utilizar uma personagem da franquia Umamusume: Pretty Derby em uma campanha contra corridas de cavalos. A ação gerou forte rejeição entre fãs do jogo e reativou debates públicos sobre os limites do ativismo, uso indevido de propriedade intelectual e respeito à obra original.

A polêmica teve início após a PETA divulgar uma arte não oficial da personagem Silence Suzuka, retratada de forma explícita e ferida, como parte de uma crítica direta ao turfe. Conhecida por estratégias de comunicação provocativas, a organização acabou enfrentando uma reação imediata e negativa da comunidade.

 

Quem é Silence Suzuka e por que o caso gerou tanta indignação

Umamusume é uma franquia multimídia japonesa que transforma cavalos de corrida históricos em personagens antropomórficas. Silence Suzuka é uma das figuras mais queridas da série, inspirada em um cavalo real que morreu tragicamente após sofrer uma fratura durante uma corrida em 1998 — fator que tornou o uso da imagem ainda mais sensível para os fãs.

A publicação feita pela PETA mostrava a personagem com uma pata quebrada e trazia a seguinte mensagem:

“Se Umamusume: Pretty Derby fosse honesto, sua garota-cavalo favorita não teria um arco de retorno. Um evento malsucedido e a corrida acaba para sempre — assim como aconteceu com a verdadeira Silence Suzuka.”

 

 

A postagem rapidamente acumulou críticas, tanto pelo teor gráfico quanto pelo uso da franquia para fins ativistas.

 

Violação direta das diretrizes da Cygames

Além da indignação emocional, muitos fãs apontaram que a campanha viola diretamente as diretrizes oficiais da Cygames, desenvolvedora de Umamusume. A publicação chegou a receber uma nota no X, afirmando:

“As diretrizes da Cygames proíbem estritamente representações violentas ou grotescas das personagens de Umamusume, em respeito aos cavalos reais. O uso da propriedade intelectual para ativismo político ou ganho comercial constitui uma violação direta das Diretrizes de Obras Derivadas da empresa.”

As diretrizes citadas fazem parte do documento oficial “Umamusume: Diretrizes para Conteúdo Criado por Fãs de Pretty Derby”, que estabelece limites claros para o uso da propriedade intelectual da franquia.

Entre os pontos destacados pelas normas da Cygames, estão proibições a:

  • Obras criadas com a intenção de prejudicar a reputação da franquia ou de terceiros

  • Conteúdos de natureza violenta, grotesca, sexual ou obscena

  • Uso de personagens para fins políticos, ideológicos ou ativismo

  • Atividades comerciais ou com intuito de lucro

  • Representações que possam causar desconforto aos proprietários dos cavalos reais

O documento ainda reforça que a decisão sobre violações cabe exclusivamente à Cygames e que medidas legais podem ser tomadas, se consideradas necessárias.

 

Comunidade reage e aponta contradições da PETA

A reação dos fãs foi além das críticas à postagem. Parte da comunidade destacou que Umamusume possui histórico de ações concretas em prol do bem-estar animal, incluindo doações que ajudaram cavalos em situação de risco e até a preservação de fazendas.

Alguns usuários passaram a comparar essas ações com críticas recorrentes à atuação da PETA, levantando questionamentos sobre a coerência entre o discurso público da organização e suas práticas institucionais. Essas críticas se baseiam em relatórios públicos exigidos por autoridades do estado da Virgínia (EUA), que mostram índices elevados de eutanásia em abrigos administrados pela organização — dados frequentemente citados por críticos e analistas do setor.

O episódio reacende o debate sobre até que ponto campanhas ativistas podem se apropriar de obras culturais sem autorização e se a exposição de imagens gráficas contribui, de fato, para a causa que defendem. Para parte do público, o caso levanta ainda questionamentos sobre coerência, responsabilidade e os limites éticos do ativismo contemporâneo.

 


Fonte: Geekin 360°


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